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A Desestruturação Familiar e a Violência
por Marineide Lima de Andrade(*)
Vivemos um período transitório nos relacionamentos humanos, em que o intelecto prima pela efemeridade e o descompromisso, mas em contrapartida, creio que o emocional não consegue acompanhá-lo com a mesma eficácia. Assim sendo, o sofrimento é inevitável.
Do desejo de se viver em estado de paixão, a meu ver, origina-se a desestruturação familiar, ou seja, a ruptura de uma instituição que, bem ou mal, servia de parâmetro, de respaldo. Em seu lugar surge uma nova família que ainda não a substitui de maneira adequada, com papéis bem definidos.
Por conta disso, os jovens ficam meio perdidos; já que não conseguem entender, satisfatoriamente, a dinâmica familiar , identificar modelos, mesmo que seja para contestá-los e reconhecer uma autoridade responsável para lhes colocar limites.
Sem modelos e sem limites experimentam uma sensação de abandono e constróem uma carcaça de insensibilidade, com a pretensão de ficarem imunes aos sentimentos e sofrimentos. Em vista disso tornam-se cada vez mais embrutecidos e explosões de agressividade são conseqüências óbvias desse processo.
Talvez as gerações futuras saibam lidar mais habilmente com a nova organização familiar, pois é assim em todo processo evolutivo. Porém, nos dias atuais, verificamos que a maioria das barbáries das quais tomamos conhecimento, por uma incrível coincidência, são protagonizadas por indivíduos pertencentes a famílias desestruturadas.
Acredito que a falta de papéis definidos na estrutura familiar, juntamente com a indiferença e a colocação de limites deixam os jovens vulneráveis a uma ruptura do "eu" ao menor abalo, o que muito provavelmente vai desencadear comportamentos agressivos em relação a si próprio ou aos outros.
Sempre que a agressividade foge ao controle do ego, transborda sob a forma de uma violência devastadora e inaceitável.
(*) Psicopedagoga.
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A Dor da Alma
por Marineide Lima de Andrade(*)
A alma humana, diferentemente de tudo o mais que evoluiu com o tempo, continua sendo devastada pelos mesmos sentimentos mesquinhos, presentes nos arquétipos da mitologia grega.
O ciúme é um desses sentimentos terríveis que a psicanálise tirou do mundo singelo dos poemas e o colocou na obscuridade do inconsciente.
Ainda na tenra infância, segundo Freud, a criança experimenta esse sentimento atroz da pior forma possível; odiando seu pai e desejando a própria mãe. Por conta desse Complexo de Édipo, quando mal resolvido, ela poderá amargar sentimentos de insegurança, rejeição e inveja por muitos e muitos anos, quem sabe para o resto da vida.
A meu ver, o maior detonador para uma explosão irracional de ciúme é um baixo grau de auto-estima. Quando o homem rejeita a si próprio, obviamente espera que o outro o rejeite. Só que o natural não é o ideal. Dessa rejeição pode originar-se dois sentimentos insanos : o ódio e o desejo de vingança. Na mente doentia é preciso fazer o outro sofrer tanto ou mais do que a dor por ele causada.
No percurso para punir aquele que não soube suprir a sua carência afetiva, o indivíduo é pego em uma cruel armadilha preparada pelo super-ego que o faz sofrer mais uma vez , corroendo-lhe a alma com um voraz sentimento de culpa.
O sentimento de ciúme é inevitável, mas não necessariamente paranóico. O bom senso sempre nos conduz ao limite do saudável.
(*) Psicopedagoga.
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A Importância do Sonho
por Marineide Lima de Andrade(*)
Vivemos um tempo em que cada vez mais o que importa é a "felicidade imediata", a qualquer custo. Por conta disso, muitos jovens trilham os caminhos obscuros das bebidas e das drogas, numa tentativa de mergulhar profundamente na fantasia que parece satisfazer os desejos daquele momento.
O Ecstasy, também chamado a droga do amor e que dizem causar um vício psicológico, age sobre a química cerebral, originando uma intensa sensação de prazer e bem estar por algumas horas.
Dessa forma, o sonho que é construído a longo prazo e a dedicação contínua em torno de um ideal perdem terreno para uma pseudo felicidade conseguida quimicamente em algumas frações de segundo.
Quanto mais aumenta a longevidade do ser humano, mais ele se angustia com o futuro e se perde na obsessividade do presente.
A falta de um sonho, que não precisa necessariamente ser realizado, apenas ser sonhado, embrutece o homem e o faz corromper-se na mesquinhez do seu cotidiano. Rouba-lhe a esperança e o atrai para um mundo concreto e materialista onde só através de uma longa batalha com o próprio ego, ele poderá voltar a sonhar, recuperar o seu lado espiritual e quem sabe, até ser feliz de verdade...
(*) Psicopedadoga.
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São Paulo - SP.
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